sexta-feira, 14 de junho de 2013

Ndandazi Mazoi - O NEGÓCIO


O NEGÓCIO


Enfim perdemos, nunca mais seremos os mesmos, se é que alguma vez fomos os mesmos,
Perdemos amigos em batalhas e ganhamos inimigos em festas,
Ninguém conhece o propósito mas todos praticam o negócio,
Porque desde o principio tudo foi sempre um negócio, entre gângsteres e polícias,
Entre Adão e Deus, entre URSS e EUA, entre o Romeu e Julieta,
Nunca houve amor, nunca houve ódio, a saudade foi uma invenção de Shakespeare,
A solidão uma criação de Fernando Pessoa, e o Medo uma invenção de Hitler.
Nunca fomos humanos, ninguém jamais conseguiu cumprir os dez mandamentos e nós?
Eu e tu, nós não passamos de um devaneio de Van Gogh numa tela qualquer,
Na verdade sempre tivemos preço e por certo algum especialista em arte daqui a alguns anos irá reavaliar o nosso valor.
Os sorrisos, os beijos, os abraços, os momentos de ternura e afecto, não passaram de miragens de um qualquer inglês perdido nos desertos da Arábia a semelhança do infelizardo do Lawrence.
Mas não sei porque este sonho de viver uma vida parece tão real que aceitamos facilmente a ilusão e recusamos a verdade,
E de todas inverdades a que mais me revolta é o amor,
Mas como negar factos, a verdade é que o amor nunca existiu, se tivéssemos alguma vez amado, não teríamos nunca inventado a traição,
Nunca teríamos inventado as maquinas e a poluição, jamais teríamos inventado armas químicas e de fogo, jamais teríamos transformado a religião em fundamentalismo, não teríamos praticado o terrorismo e não conheceríamos o obscurantismo e a ganância.
Pois é, os factos falam por si e perdemos, não passamos de míseros seres perdedores habitantes deste moribundo planeta azul da via láctea.
E Platão, Sócrates e Newton, Galileu e Da Vinci, a Mona Lisa, será que foi tudo em vão?
Nada foi e será algum dia em vão, porque apesar de tudo foi um bom negócio e alguém lucrou com tudo isto.

por Ndandazi Mazoi